Canção da Ruína

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Canção da Ruína

Mensagem por Rick Petrevil em Qui Jan 12, 2017 5:19 am

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Começando a escrever sobre o Duragan, dando sequencia dos ultimos eventos (saída da Rosa dos Quatro Ventos) e vinda para o Pácto Áureo, o prelúdio passa poucos dias depois de Zaccary contatar Rhonnak sobre o Concílio.

Prelúdio: ‘’Lobos dormem noite adentro, morcegos voam ao relento... ’’
 


Respirou fundo e queria dizer que tinha o feito porque estava cansado, mas não, apenas o fez porque encolhido como estava não havia outra opção para relaxar, se esticasse o corpo poderia estalar um graveto e então poderia dizer ‘’olá’’ para uma flecha no meio da testa.


Dias assim já tinham se tornado normais para o anão, ainda mais quando ele cismava em visitar um local onde não era bem vindo. Na primeira tentativa ele mostrou o medalhão que carregava pesaroso, no pescoço, mas as elfas não o deixaram passar.


Na segunda vez ele fora mais engenhoso, pusera as sentinelas para dormir com um liquido sonífero que despejara rente aos pés daquelas que faziam a ronda naquela área e então teve um pouco de sossego naquele lugar que para ele... Era sagrado.


Pela terceira vez não havia sido cauteloso, tampouco engenhoso, fora... Ele. Irado com o que vinha lhe acontecendo e com as forças minadas, dia após dia, pelas memórias daquilo que considerava seu fracasso, ele apenas se aproximou envolto em energias proibidas. Visto pelas sentinelas como ameaça e as tendo assim também, não tardou para dar cabo e ir até o local que o fazia ter paz para sua mente... Com sangue inocente nas mãos.


Agora, pela quarta vez ali, ele se mantinha agachado entre as raízes grossas de uma árvore que adentrara um verdejante arbusto. Não gostava daquele lugar, como bruxo, emanava ondas de energia vil, fraca o suficiente para não fazer mal nem mesmo á um coelho, mas que era sentida pelas rastreadoras. E então era dado como inimigo.


Nunca perguntaria primeiro, jamais lhe dariam chance de argumentar. Ali não era um lugar seguro para ele e mesmo assim ele buscava aquele local.


- Ele tem de estar por aqui, procurem-no! – ordenara a Elfa Noturna responsável pelas demais. E as sentinelas lhe obedeceram, buscando entre as raízes, arbustos e mesmo detrás de pedras a sua figura.


Fechou os olhos e respirou fundo, não era o que se poderia chamar de fiel da Luz Sagrada, mas fez uma prece silenciosa para que não o encontrassem. Ouviu os passos da sentinela mais próxima e ouviu outro som também.


Ouviu um baque e sentiu algo tocar seus pés, eram os dedos de uma das mãos da elfa vigia. Com um arrepio pensou tratar-se de uma emboscada da horda, ali não! Não podia ser! E de fato não era.


Ao sair do arbusto viu que as elfas estavam apenas dormindo e de pé sobre a última estava um jovem humano.


- Pó de Sono. – ele deu de ombros. – Funciona sempre.


O jovem sorriu para o anão e o ajudou a contornar as raízes. Aos poucos deixavam as elfas para trás e se aproximavam do lugar que o ferro negro tanto cobiçava e tanto enfrentava para alcançar.


O local de descanso da última Dama da Lua.


- Eu... Vou ficar de vigia. – o jovem não ousou se aproximar mais. – Caso alguém se aproxime, aviso o senhor.


O anão sequer disse uma palavra, apenas seguia em frente, admirado com a luz prata que ainda brilhava sobre aquele lugar. Aquela hora, podia ser a lua, mas bem sabia, pois já viera em outros horários, que algo mágico sustentava aquele brilho prateado.


- Eu sinto... – e se pôs ajoelhado em frente a lápide marcada de Alistrel. – Sinto muito por ter fracassado.


O anão deixou escorrer uma lágrima.


Pela última vez que amara alguém, novamente isso lhe fora tirado. Não estava mais em tempo de amar como amam os jovens, o contato físico, a paixão ardente? Para ele nada disso importava, mas o amor que havia aprendido a nutrir por aquela elfa era cheio de respeito e admiração. Um sentimento que ficara preso em sua garganta desde o dia em que ela tomara aquela decisão.


~x~


Duragan depositava uma coroa de flores vermelhas e negras, rosas, sobre a placa em que se lia ‘’Mia Gaelbor’’ junto de dizeres ‘’Descanse em paz’’. A terra escurecida do que havia se tornado as Estepes Ardentes seriam agora lar de uma placa que serviria apenas de memorial, pois nem mesmo um corpo, sequer, ali havia.


E o anão deixou escorrer uma lágrima.
~x~


- Eu ainda não aprendi... – O anão apertava a grama na qual se mantinha ajoelhado e com a outra mão apertava o medalhão prateado com o símbolo da antiga ordem. – Não consigo aprender com meus erros.


E quantos erros ele cometeria mais até que entendesse?


Mais lágrimas escorriam pelo rosto cinzento do anão, seu maior momento de fraqueza. Se o jovem que ficara para trás tivesse por missão dar cabo do ferro negro, este seria o momento perfeito, ele nem ligaria, não resistiria, pois ali ele se sentia como não se sentia em outros momentos. Ali, ele era quem queria ser. Era só mais um. Era fraco.


- Ainda lembro-me das palavras. – engoliu as lagrimas que ainda viriam. – Você me botou preso naquelas malditas cavernas e disse... – pôs-se de pé. – ‘’Se queres confiança, mostre-me quem és. Não adianta ser o que eu quero que seja, para que alguém confie em ti, precisa mostrar quem realmente é e do que realmente é capaz’’.


Sentiu algo no peito, queria que fosse uma adaga, mas não era. Nas primeiras visitas a dor fora pior. Agora, depois de alguns anos e com tanta coisa acontecendo e ocupando sua mente, a dor parecia não ter espaço tão grande para ocupar.


- Você escolheu morrer, não para dar fim a ela... – fechou os olhos e lembrou do feitiço que ligara a Dama da Lua com a Fênix Negra e socou a grama. – Você ainda queria salvá-la!


Quando o anão gritou, o jovem humano esticou-se na ponta dos pés e observou o que jurou que jamais contaria a alguém. O Petrevil chorava por uma lápide.


- Você queria salvar aquela miserável! Mesmo depois de tudo o que ela fez!? – o anão socou a estrutura que mantinha a cova segura de chuvas. – De quê adiantou?? Responda!


Impondo mais força contra a estrutura ouviu um estalar da madeira e parou, congelado no lugar em que estava.


Respirou fundo.


- De nada... Um sacrifício vão. Não há salvação na morte. É apenas o fim. – virou o medalhão entre os dedos de sua mão e tentou joga-lo na terra, mas era apegado demais aquela coisa. – Você também fracassou.


Era isso o que repetia para sentir-se melhor.


- Você deixou uma filha para trás. E fracassou com ela também, como mãe e como líder. Fracassou com a Ordem, com Riamond, com todos!


Finalmente, Duragan, deu ás costas para o túmulo de Alistrel. A luz prateada ainda brilhava.


Olhou para o céu, quase todo encoberto pela copa das árvores. Lembrou-se de quando ocorrera o enterro. A ode que fizera no nome daquela que amara e admirara secretamente.


Ainda a admirava e amava as memórias que tinha de como ela havia sido forte. E por todo esse tempo buscou tornar-se mais forte, tão forte quanto ele podia recordar-se dela e fracassou miseravelmente.


O vil agora o preenchia, não deixara de ser um anão, tampouco estava perto de ser um demônio. Só não sabia quem era. Precisava mesmo, depois de tudo o que fizera, o mundo de si? Ele viveria e morreria por aliados como já fizera! Mas fariam o mesmo por ele?


‘’Você se afastou de todos... ’’ Disse uma voz em sua mente.


Quando olhou para trás viu a mulher demônio, Shizabal. A shivarra tinha o mesmo tom de pele azulado das Elfas Noturnas, a feição feroz, os braços, todos os seis, presos na cintura.


‘’Quem arriscaria a vida por você?’’ Retornou a perturbar o anão que tinha por mestre.


‘’O mundo não precisa de você, mate-se, junte-se a ela e esse será o único alento que sua alma poderá sentir... Pois, bruxo... Você é torpe. ’’ 
E aquilo o atingiu.


- Tem razão, o mundo não precisa de mim. – resmungou baixinho. – Eu preciso do mundo.


Palavras foram sussurradas e a shivarra desapareceu, talvez sequer tenha estado ali, deveria estar ficando louco.


Olhou pela última vez para o túmulo da elfa, então desceu o olhar para o jovem que o aguardava e lembrou-se entre quem, tão logo, estaria. O Pacto Áureo.


Saíram dali depressa e tomaram rumo para um antigo casebre numa zona alta ao norte. Ali o jovem pôs-se a deitar num colchão improvisado com as almofadas deixadas ali pelos inquilinos que haviam vendido a casinha para o anão crendo que ele era um eremita.


Enquanto isso, Duragan em outras vestes, menos chamativas, punha-se de vigia próximo a janela. Com a porta fechada e nenhuma luz acesa não chamariam atenção de fosse o que fosse, criatura, sentinela ou viajante.


Olhou para o rapaz que dormia profundo, ele também sonhava com algo, murmurava coisas e lembrou-se de quando ele assumira a forma worgen durante a noite.


A voz de Shizabal cortou-lhe os pensamentos naquela música solene que ela insistia em cantar desde sua primeira queda.


‘’Lobos dormem noite adentro... ’’


O anão olhou pela janela, tomado por uma última memória, jurou ver Alistrel em frente as árvores que se punham do lado de fora. Ela brilhava sob a luz da lua... Mas a imagem se apagou, junto com a chance de paz quando ela morrera.



‘’Morcegos voam ao relento’’.



Música cantada pela Shivarra.:






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