Bruxaria Passiva

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Bruxaria Passiva

Mensagem por Sachafer em Sex Fev 19, 2016 4:01 am

Mais uma vez, a clássica cena se repetia. Lá estava ele, no escuro do fundo de uma ala da biblioteca, iluminado por uma lamparina de chama tão solitária quanto ele próprio.
                - Os outros humanos, nesta data, saem e compram presentes para seus amados. Mas você permanece calado e solteiro. Por que não sai desse lugar e arruma companhia? – disse a voz.
                - Está atrapalhando minha leitura. – responde Sachafer, em tom de desdém.
                - Até parece que você não leu o suficiente sobre caçadores vis. – ressaltou a voz.
                - Até parece que você é mais humano que eu. – retrucou em voz alta – Se pelo menos você me deixasse descobrir meu passado, talvez me ativesse a alguém. – completou fechando o livro e se levantando para devolvê-lo ao seu lugar na estante.
                - E sobre a gnomida? – perguntou a voz em tom malicioso.
                - Nem continue com isso. Meu interesse nela é puramente acadêmico. – respondeu Sachafer.
                - Claramente. E certamente não é por acaso que você demora a levantar quando senta perto dela. Seu coração também acelera por puro “interesse acadêmico”. – disse a voz.
                - Sabe, às vezes é bom ter você perto pra conversar. Mas às vezes, tenho vontade de te expulsar da minha cabeça. De alguma forma... – retrucou Sacha.
                - Você não teria poder pra isso. Nem eu tenho. – disse a voz.
                - Espera... Então eu não sou insano? Você... – foi interrompido.
                - De fato, não sou sua consciência.  Você já estudou o suficiente para saber o que eu sou. Fico surpreso de nunca ter parado para pensar nisso. – disse a voz.
                Nessa hora, Sachafer já preparava seu banho. A tina estava cheia e ele despido, pronto para entrar na água.
                - Então, você é um demônio. Ótimo! Agora eu sou um bruxo contra a minha vontade. O que mais não sei sobre mim mesmo? – perguntou Sacha, em tom de deboche.
                - Todo o seu passado. Podemos fazer um trato. Você descobre um meio de me libertar, e eu mostro tudo que lhe foi tomado. – dizia a voz.
                - Eu não ligo. Não farei pacto algum, demônio. – disse Sacha, com seu corpo imerso até o peito e seus braços abertos sobre a parede de madeira da tina. Sua cabeça estava reclinada para trás. A água quente fazia a situação mal parecer preocupante.
                - Você me força a ser rude. – disse a voz.
                Subitamente, o corpo e Sahcafer escorrega para dentro d’água e fica preso por alguns segundos.
                Aos poucos, tudo foi ficando frio.
                               E molhado.
                                               O vento soprava com força e a lama sob os pés descalços fazia tudo parecer tão bom. Tão livre.
                A voz doce e familiar de uma mulher interrompeu seus risonhos saltos na lama de chuva.
                - Filhooooo! Saia já dessa chuva, moleque! Você vai ficar resfriado!
                - Já vou, mãe. – ouviu. Era sua própria voz, porém, mais jovem.
                Saindo emburrado da chuva, ele foi para dentro de casa, onde sua mãe o aguardava com uma tina de água quente.
Cabisbaixo, ele tirou a roupa, ficando apenas com a roupa de baixo e entrou na tina.
                Enquanto tomava banho, ouviu sua mãe reclamando de seu comportamento inconsequente, mas ele não prestava atenção. Era chato. Ele só pensava nos livros que estavam em seu quarto.
                A porta da copa se abre e dela entram dois homens. O primeiro estava mais sério e segurava uma pasta. O segundo, fazendo piadas com algo. Ambos estavam ensopados pela chuva forte.
                - Querido! Suas roupas estão encharcadas! Você também, Benjamin! Venham cá, vou arrumar roupas secas. – disse a mulher.
                O segundo homem a entrar na copa sorriu ao ver o jovem na tina e se aproximou.
                - Tio Ben! – gritou o garoto.
                - Como vai o meu sobrinho favorito? – respondeu o homem.
                - Com as pernas, tio. – retrucou o jovem, com um sorriso malicioso em seu rosto.
                O homem brincalhão sacudiu a cabeça do garoto enquanto ria e disse:               
- Esse é o meu rapaz! Hey! O que é aquilo? – perguntou o homem, apontando para um canto da copa.
O menino rapidamente olhou e não viu nada de estranho ou anormal, e se aproveitando disso, o homem afunda o garoto na água, rindo.
                Ao emergir da tina, Sachafer ofegava como nunca. Ele tossia e cuspia água.

                - Temos um acordo.  – disse ele, ainda cuspindo água.
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Sachafer

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