A Chuva, A Tempestade e o Oblívio pt. 3

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A Chuva, A Tempestade e o Oblívio pt. 3

Mensagem por Sachafer em Seg Fev 01, 2016 1:31 am

O Oblívio

Frio. Muito frio.
Anderson desperta de seu transe. Seu corpo se movia com rapidez sobrehumana por um lugar que sua visão não identificava. Por mais que tentasse retomar o controle de seus membros, um dedo que fosse, não conseguia.
- Você sobreviveu, humano. - dizia a voz.
- Eu não consig--. Você está me controlando, demônio? - perguntou Anderson, assustado.
- Você quem permitiu isso. Temos um acordo. Você sobreviverá, mas também preciso de um favor. - disse a voz com sua serenidade intocável. - Contemple a tumba de Zhon'oz. - completou, usando as mãos de Anderson para produzir fogo e iluminar o ambiente.
Era um lugar gigantesco. "Colossal", pensou Anderson, ainda mais assustado do que antes. Seu corpo continuava a se mover sem que ele pudesse controlá-lo.
- O que está fazendo comigo? - disse Anderson.
- Quantas vezes eu preciso repetir as coisas pra você, criatura nojenta? Eu já lhe disse o que estou fazendo. Não se preocupe. Não vai se machucar muito. Se você morrer, eu morro junto com você. - disse a voz.
- O-O que é você... -disse Anderson, hesitando.
- Eu sou Thoklos, mortal. Um ser do Caos. Não sei como e nem porque me obrigaram a te possuir, mas você e sua condição foram úteis à mim. Em seu subconsciente, eu o influenciei à estudar magia, mesmo na desaprovação de seu pai. Deu muito trabalho desviar a rota do navio sem que ninguém percebesse. - disse o demônio, mantendo sua voz calma como antes.
- VOCÊ QUASE NOS MATOU. VOCÊ MATOU MEUS PAIS. MONSTRO. - bradou Anderson, desesperado.
- Não. Isso foi por azar. Não havia como prever aquela tempestade. E seus pais estão vivos. Eu sinto as almas deles. - disse ao garoto desesperado.
- Eu não confio em você, monstro! - gritou Anderson, ainda furioso.
- Você confiou quando estava morrendo. Agora fique calado e pare de lutar contra a minha vontade ou ambos morreremos. - disse, enquanto conjurava alguma magia muito estranha.
Anderson permaneceu calado pelas duas horas que se passaram após o pedido do demônio. Ele sentia seu corpo exausto, mas nada poderia ser feito até que o demônio não terminasse seus planos vis.
Os salões que foram percorridos por Anderson eram certamente muito antigos. Sua arquitetura era completamente alienígena aos seus olhos. Era estranhamente agradável.
O demônio parou defronte para um painel rúnico e pareceu ponderar sobre o que estava lendo. Ele estaria decifrando as runas?
Com um toque de leve sobre uma delas, uma espécie de mapa estelar. Anderson reconhecia algumas das constelações. O demônio manipulava o mapa astral. Ele parecia reorganizar as estrelas em suas posições corretas. Era um quebra-cabeças.
A tumba era pertencente a um grande astromante que foi olvidado pelas eras. Thoklos contou a Anderson que foi Amaho'Amed. Contou sobre seus feitos e também sobre um artefato específico: um colar. O pingente do colar era feito com uma Pedra do Vazio, e os encantamentos nele contidos eram muito poderosos e que, além disso, a pedra não pertencia aos mortais. Ele estaria apenas pegando de volta.
O mapa astral, após ser reorganizado, abriu uma enorme porta, revelando o caixão que preservava os restos mortais de Amed e, logo atrás dele, um pedestral enorme, com o colar flutuando sobre ele.
Ao tocar no colar, seu dono despertou. Uma múmia furiosa. O ser cadavérico pronunciava palavras em uma língua antiga e muito estranha. 
Com um feitiço, a múmia de Amed começou a fazer toda a tumba ruir, e enquanto o teto caía, teve tempo de conjurar um segundo feitiço. Esse fez com que a voz de Thoklos se calasse.
Anderson podia controlar seu corpo novamente. Em vão.
O vulto colérico do ser que um dia foi Amed começou a conjurar um feitiço muito poderoso.
Anderson simplesmente não conseguia se mover. Estava paralisado. A única coisa que ele conseguia pensar era em como queria estar longe de lá. Em qualquer lugar.
Um brilho púrpura muito intenso emanou do colar e com um grande clarão, Anderson estava nas areias do deserto novamente.
Seu alivio durou pouco tempo. Amed era um grande vidente em vida e sabia que aquilo aconteceria.
Dos céus claros do deserto noturno uma estrela cadente caiu sobre a cabeça do garoto ladrão de tumbas. Ele tentou correr, mas foi em vão.
                                                                                                                                                                                                                                        

O frio foi embora. O sol estava nascendo.
O cabo de uma lança cutucava o rosto do jovem humano de pouca sorte. Ele desmaiou novamente.
Quando deu-se por consciente novamente, ele não sabia onde estava. Ele via seres muito peculiares: homens-gato, treinando com cimitarras sob o sol escaldante do deserto.
Um deles, o que usava uma ombreira em forma de cabeça de chacal se aproximou falando numa língua estranha.
O homem-gato fez cara feia antes de começar a falar na língua que Anderson compreendeu.
- Quem é você, humano? Sua raça não é bem vinda nas areias de Uldum. - disse o homem-gato.
- Eu sou... Eu... Quem eu sou? - Anderson estava confuso. Tudo havia sumido. Ele não lembrava seu nome. De onde veio ou o que havia acontecido naquela noite.
Um outro homem-gato se aproximou dele. Esse usava roupas de tecido. Eram muito belas, ornadas com ouro. 
- Than'Yeash, deixe-nos à sós. O pequeno humano já esta assustado o suficiente. - disse o homem-gato que havia acabado de chegar.
Com um gesto de respeito, ele se despediu.
- Criança humana, meu nome é Yamesh. Sou um profeta do meu povo. As estrelas me mostraram o que aconteceu com você. Já aguardo sua chegada ha dois dias. - completou.
Anderson não conseguia sentir medo. Ele não entendia a gravidade do que se passava.
- Há uma grande escuridão em você, criança. Se os outros soubessem, o matariam na hora. Você não pertence à essas areias. A caravana que lhe encontrou passará muito próxima aos portões do deserto. Tome isso. - Ao completar a frase, ele entregou um cachecol cheio de simbulos estranhos que pareciam letras.
- Mas eu...- foi interrompido.
- Não se preocupe, criança. O deixarei num lugar seguro, de volta com seu povo. - disse Yamesh.
- Quem é meu povo? - disse o confuso humano, pondo o cachecol em sua cabeça, para proteger-se do sol rigoroso do deserto.
- Eu não sei. Você é um humano. Existem muitos reinos da sua raça. Caberá a você descobrir. - completou o vidente.
Por horas, caminharam pelo deserto de Uldum, até que um grande muro foi avistado.
- Daqui, você seguirá para o norte, onde encontrará um posto de criaturas de pele verde. Eles guiarão você em sua jornada para encontrar seu lar. - disse Yamesh, o Vidente.
- Mas... Eu não lembro nem quem eu sou. O que direi quando perguntarem? - perguntou Anderson, confuso como só.
- Enquanto tinha seus pesadelos durante a noite, você dizia sempre: "Preciso seguir... Preciso seguir...". Acho que deveria se batizar novamente. - disse o vidente.
Anderson parecia confuso. Ele fitava o homem-gato, com seus olhos purpúreos cintilando.
- Hahaha, -ria o vidente-, conheço um nome apropriado. Ele é da sua própria língua, mas é algo muito antigo. - completou.
- E qual seria esse nome? - perguntou Anderson, ligeiramente incomodado pela risada do homem-gato.
- Sachafer. - ele disse.

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Sachafer

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