A Chuva, A Tempestade e o Oblívio pt. 2

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A Chuva, A Tempestade e o Oblívio pt. 2

Mensagem por Sachafer em Dom Jan 24, 2016 9:07 pm

A Tempestade

Já haviam se passado cerca de três semanas em mar aberto. Não havia nenhum sinal sequer de terra próxima. O mar estava mais agitado do que o normal, como comentavam os marinheiros e os pescadores à bordo do barco. Uma chuva tremenda castigava os céus, raios e trovões tiravam o sussuego dos tripulantes e preocupavam o capitão do Martelo do Ocaso. 
Nessa altura, Anderson já havia desistido de ler. Ele já havia vomitado duas ou três vezes. Decidiu limitar-se à vigiar a proa do navio. Algumas vezes ele sequer conseguia manter-se de pé. O mar fazia mal a ele. Os outros membros da família nobre não passaram pelos mesmo problemas, aparentemente. Lorde Newhall apreciava um bom vinho com queijo junto com seus parentes mais próximos, que ele decidiu levar consigo para sua nova terra em Kalimdor.
Sem ter muitas opções, Anderson procura um lugar minimamente agradável para dormir, já que era tudo que lhe restava para fazer. No meio da noite, gritos de desespero o acordaram.
- Tragam mais lanças! - bradava um dos pescadores desesperado - É um kraken!
De olhos arregalados, o jovem se põe de pé para testemunhar a aparição de mais uma criatura das lendas que viu em seus livros.
O Kraken era uma criatura enorme. Anderson não conseguia ver os detalhes porque a tempestade não permitia sequer ver um palmo à frente do próprio nariz. 
Finalmente os raios eram úteis para algo: iluminar o ambiente para o confronto da fera impiedosa que destruía o barco sem motivos aparentes.
- Terra à vista! - Bradou um dos marinheiros, do topo de um dos mastros.
No mesmo instante, um enorme tentáculo ergueu-se e, iluminado por um raio, anunciou o naufrágio do Martelo do Ocaso.
Tudo apagou-se.
O pesadelo começa novamente.
Um garoto indefeso, rodeado por seres malignos que insistem incessantemente para que ele os ouça. Não importava o quanto ele lutasse para não ouvir, ele gritavam mais alto e mais alto. Cada vez mais.
Sem outra opção, o jovem abandonou tudo e deixou-se afundar.
Foram as ondas do mar na praia que fizeram Anderson recobrar sua consciência. A espuma vinha e ficava em seus cabelos molhados. O Sol não tinha piedade da pele clara do garoto. Queimava e ardia como ferro de marcar. Ele estava em pino, no meio dos céus claros de uma terra desértica e mortal.
Por horas o garoto circulou a praia em busca de qualquer sobrevivente do naufrágio. Apenas destroços do Martelo do Ocaso ele encontrou.
Sentar-se e chorar não adiantaria mais a esse ponto. Ele sabia disso. A voz havia lhe advertido em seu pesadelo.
De olhos fechados, sobre a sombra de um coqueiro ele se senta para pensar. O fantasma que assombrou seus pesadelos durante anos agora era sua única companhia.
- Se entregue, criança. Nenhum deles existe mais. - Disse a voz. Ela não aparentava ter emoções no que dizia.
- Nunca! Eu não sei quem você é, demônio, mas eu nunca me entregarei à você! - Bradou, mesmo que não houvesse ninguém para lhe ouvir, além da voz estranha que o perseguia.
- Vamos, criança, você não tem mais nada a perder. Eu sou sua única chance de sobreviver. Você quer se tornar um mago. Eu sei disso. Eu sempre estou com você. - Continuou dizendo, mesmo que o garoto gritasse primalmente para não ouvi-la.
Anderson pôs-se à vaguear pelo terreno arenoso sem um rumo.  Voz não parava de sussurrar.
Em dois dias, nada restava além do eco de um pobre guilneano azarado. Caído nas areias escaldantes de Uldum.
Fraco, e sem qualquer esperança, ele fecha os olhos e diz:
- Eu desisto...

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