[Conto] "Curiosidade".

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[Conto] "Curiosidade".

Mensagem por Vinny Locatelli em Qua Jan 13, 2016 11:10 pm

Os primeiros raios de Sol já iluminavam a grama, os arbustos e o lago, que brilhava azul-esverdeado. O fundo dele já não estava mais nego. As raízes calcinadas já estavam recobertas por algas e plantas d’água.
                O vento fresco da manhã balançava os galhos da grande árvore de maneira silenciosa, e junto com eles, o pelo do jovem worgen.
Leves toques com a ponta da garra faziam ondulações no lago. Maleb Junior estava pensativo.
                Uma memória vem à sua mente.
                “ – Vocês três, sentem-se aqui e não levantem! Ficaremos só mais algumas horas até o barco chegar.”, disse o general aos três filhos.
                Os três concordaram prontamente com um aceno de cabeça.
Menos de vinte passos depois e o General já havia desaparecido em meio as desordenadas construções de Darnassus.
“ – Vigia o papai. Vi uma parada muito louca ali.”, disse o jovem humano nanico com o elmo de lobo.
“ – Juninho....”, disse  Adrien ao Maleb.
Bruna estica o pescoço, fitando a esquina e diz: “ – Vai logo! Se ele voltar, eu digo que você foi mijar.”
Esgueirando-se, o humanico sai correndo em direção ao sudoeste da cidade.
                O cheiro de um incenso estranhamente agradável vinha dos arredores do amedrontador Carvalho Uivante. Haviam pelo menos quinze worgens ferais lá, ainda para serem curados da insanidade da maldição.
Três druidas noctélficos concentravam-se num feitiço para acalmá-los  enquanto dois outros retiravam-nos das gaiolas. Ao lado, outros três druidas, vestidos completamente de branco estavam preparando o ritual.
“ – Preciso ver de mais perto!”, pensou Maleb Junior, se aproximando com cuidado de um pequeno pilar. Ao olhar para cima, ele nota uma arma muito estranha. Parecia uma foice, feita com uma enorme presa.
                O barulho de gravetos sendo pisados chamou sua atenção. Um dos druidas de branco se aproximava da foice. “Droga!”, pensou enquanto já corria em direção a uma pilha de caixas.
O ritual prosseguiu com o druida que portava a foice estranha fazendo preces.
                “ – Que a foice desat-...”. O druida foi interrompido pelo barulho de caixas caindo.
Os druidas que realizavam o feitiço tranquilizante perderam sua concentração e os worgens acordaram de seu transe em um frenesi mortal.
                Ao tentar fugir, um dos worgens derrubou uma das cubas ritualísticas, arruinando de vez o ritual.
Desesperadamente, Maleb Junior tenta se levantar do meio das cais que derrubou e fugir, mas acaba sendo perseguido por um dos worgens. Foi uma cena tragicamente engraçada: Um garoto, sendo perseguido por um worgen que está sendo perseguido por um druida.
                Num salto, o worgen derruba Maleb e o ataca. Felizmente, o druida foi ágil o suficiente para lançar um tufão de ar para tirar o worgen de cima de Maleb.
                Dois outros elfos aparecem e engaiolam o worgen.
                “ – Está ferido, humano?”, disse uma elfa que chegou correndo.
                “ – Tô bem, tô bem!”, disse Maleb Junior com a mão direita enfiada atrás das costas.
O elfo que salvou Maleb o pega pela camiseta, suspendendo-o do chão como se fosse um filhote fujão.
                “ – Me solta!”, protestou um garoto enxerido.
                “ – Não.”, disse pacientemente o elfo, após um longo suspiro. Nessa altura ele já caminhava para o Terraço dos Guerreiros com Maleb suspenso.
                Maleb Junior arregala os olhos ao ver o pai e o elfo diz: “ – Isso aqui é seu?”
Maleb Junior estava com a mão enfiada dentro do elmo e com os braços cruzado. Parecia irritado.
                Com um suspiro de desgosto, o General Correfúria passou a mão no rosto e disse:
                “ – O que ele fez dessa vez..?”
                Enquanto o elfo descrevia o acontecido, ambos, Maleb pai e Maleb filho ficavam vermelhos. Um de raiva e outro de vergonha.
O elfo larga Maleb no chão e faz um gesto de despedida.
                “ – Obrigado, elfo. Garanto que ele será punido.”, disse o General fitando seu filho nos olhos. “ – Agora,vamos! Não posso perder o barco”, completou.
O jovem acompanhava seu pai, seu irmão e sua irmã de trás. O elmo de couro já não estava mais conseguindo conter o sangue, que pingava no chão...
A dor. Dizem que a primeira vez que  a forma de worgen se manifesta é a mais dolorosa. De fato, deve ter sido. Maleb rolava no chão enquanto se transformava. E quando finalmente estava completo, seus olhos amarelos de ódio encararam o General.
                Sem tempo para raciocinar, o recém transformado worgen corre em frenesi para atacar o próprio pai.
De repente, antes que a investida sangrenta se consolidasse, a mesma elfa de antes salta das sombras onde espreitava e o intercepta no ar, jogando-o contra uma pedra. Maleb não conseguia se mover devido à força do impacto.
                “ – O que?!”, perguntou o General sem entender muito bem o que havia acabado de testemunhar. Pela primeira vez, as crianças viram seu pai assustado com algo.
                “ – Desconfiei que ele havia sido mordido, então os acompanhei. Ele não pode sair assim de Darnassus.”, disse ela.
                “ – E nem que pudesse.”, completa ele, dizendo ainda: “ – Não levaria um worgen pra Ventobravo. Nem que fosse meu filho.”
                “ – Pai!” – Exclama Bruna.
                “ – Pai!” – Exclama Adrien.
                “ – Calados!”, bradou o General com voz estrondosa.
                Os olhos da elfa arregalaram-se.
                “ – Nós podemos cuidar dele até a sanidade dele ser restaurada e...”, foi interrompida.
                “ – Ele agora é um de vocês.” Disse o General com a voz firme após interromper a druidesa.
                Antes mesmo que os filhos abrissem a boca para protestar contra, o General grita para ficarem quietos novamente.
                Os três foram em direção ao barco enquanto a elfa os observava partir. Por mais que doesse ao General abandonar o filho daquela forma, ele havia jurado proteger a Nação antes de tudo. Antes de tudo...
                Embarcaram e o barco zarpou. A elfa observou o barco até que sumisse no horizonte.
                Voltando à si, o jovem worgen observava o lago. A lembrança do último momento em que a família esteve reunida o inquietava mais do que tudo.

 
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